Tapajazz Mostra Belém realiza workshop nesta terça

A Mostra Belém do Tapajazz encerrou a agenda de shows no último sábado, 26, mas seguirá esta semana com um workshop do carioca Maurício Maestro, fundador do Boca Livre, músico contrabaixista e arranjador. O bate-papo será nesta terça-feira, 29, das 15h às 18h, no Núcleo de Conexões Na Figueredo. A entrada é gratuita e está sujeita a lotação do lugar, limitada a 50% de sua capacidade, em decorrência da Covid-19.

Carlos Maurício Mendonça Figueiredo é conhecido e reverenciado na música como Maurício Maestro. “Um nome sarcástico”, diz ele. “Eu faço arranjo, e todos os arranjadores eram identificados nas fichas técnicas do LPs, como Maestros. Quando perguntavam, que Maurício, diziam, o Maestro, e eu resolvi então adotar, mas não tenho formação em regência”, complementa o cantor, baixista e compositor, que esbanjou simpatia nas noites do Tapajazz e promete revelar para o público do workshop todos os segredos de sua trajetória.

Ele é um especialista. Assina os arranjos vocais e os arranjos instrumentais do Boca Livre e já trabalhou com inúmeros outros músicos da música brasileira. Faz parte de momentos históricos da música popular brasileira, como o emblemático Festival da Record de 1967, quando juntamente com David Tygel, Zé Rodrix e Ricardo Vilas, acompanhou Edu Lobo na apresentação de “Ponteio”.

Em 2018, depois de seis anos sem novas produções, o Boca Livre retomou gravou um novo disco, Viola de bem querer, marcando os 40 anos do grupo, hoje com Zé Renato (violão e voz), David Tygel (viola de 10 cordas e voz) e Lourenço Baeta (violão, flauta e voz), além de Maestro que também tem sua carreira solo, trabalho que ele apresentou na segunda noite do Tapajazz em Belém.

O workshop com ele será uma grande oportunidade para quem estiver interessado em saber mais sobre arranjos tanto vocais, como instrumentais, além de trocar ideias e experiência sobre processos de composição. O Tapajazz Mostra Belém é uma realização da Fábrica de Produções, patrocínio da Equatorial Energia, por meio da Lei Semear do Governo do Estado, e patrocínio da Alcoa. Apoio cultural da Casa do Saulo – Onze Janelas e deputado Igor Normando.

Mostra Belém é sucesso e veio pra ficar

Em três noites no Teatro Waldemar Henrique, com transmissão, ao vivo, pelo Youtube, e retransmissão pelo Facebook, foi possível apresentar ao público um panorama da música instrumental brasileira em conexão com a Amazônia. Foi a primeira vez que o festival, nascido em Santarém e realizado, desde 2014 em Alter do Chão, veio para a capital paraense. O teatro recebeu 50 pessoas por noite, ou seja, menos da metade de sua capacidade, em atenção aos cuidados com a Covid-19.

O jornalista Tito Barata, convidado para apresentar as três noites, nos conduziu por três noites seguidas, pelos encantos da música amazônica, ou jazz amazônico, caracterizado pelas misturas sonoras hispano-americana e africana, como ele descreveu. O nome Tapajazz é um “achado criativo”. Une a descontração e a universalidade do Jazz com o nome do rio que banha Santarém, o Tapajós. Guilherme Taré, produtor e idealizador do festival, complementa dizendo que é também uma homenagem ao violonista Sebastião Tapajós, considerado o patrono do Tapajazz. Os shows foram gravados e podem ser vistos no Youtube.

“Acredito que depois dessa experiência, não podemos mais deixar de fazer a Mostra Belém. Ela funcionará sempre como um convite ao intercâmbio entre Santarém e Belém, na Amazônia, e o resto do país e do mundo, onde houver música instrumental. Ainda estamos pensando em realizar o Tapajazz, este ano, em Santarém, mas vai depender da situação em relação ao momento pandêmico”, disse Guilherme Taré.

Das oito atrações, apenas três não estiveram no palco do Teatro Waldemar Henrique e entraram de suas cidades. Foi o caso do grupo Conexão Amazônia, com Zé Miguel, Joãozinho Gomes e Enrico di Miceli; e do músico Alan Gomes, que entraram de Macapá (AP), antes do Trio Paraense, com Luiz Pardal, Paulinho Assunção e Jacinto Kahwage, que encerraram a noite de quinta-feira (24).

A banda Silibrina entrou de São Paulo, na sexta-feira (25), noite aberta por Maurício Maestro (RJ), que fez um belo espetáculo, repleto de canções famosas da música brasileira, incluindo aí, Ponteio, defendida por Edu Lobo, em 1967, apresentação na qual Maurício fazia o vocal do grupo Momentoquatro, acompanhando o artista. A noite foi encerrada com o grande violonista Sebastião Tapajós, que ainda voltou ao Teatro Waldemar Henrique no dia seguinte, como plateia, para assistir aos últimos shows, no sábado.

A última noite abriu com a banda “Jardim Percussivo”, liderada pelo percussionista Márcio Jardim e pelo pianista Edgar Matos, trazendo ainda músicos na faixa dos 18 aos 25 anos, assumindo baixo, guitarra, sax e percussão. Eles mostraram ao público a mais autêntica música instrumental brasileira com o molho nacional do improviso do jazz, terminando com um 5×4 no estilo Take Five do Brubeck.

Em seguida, entrou em cena Toninho Horta, que estava em noite inspirada desfilou canções que foram do clássico “Moon River”, de Henry Mancini, à toada cinquentona “Manuel Audaz”, e encerrou o set de mais uma hora de show, com a plateia cantando alto e afinada, sob sua regência. Ele abriu o show sozinho, com o violão, e seguiu acompanhado por banda formada por músicos paraenses, como Príamo Brandão (baixo), Kleber Paturi e Alexandre Alcides (percussão), Edvaldo Cavalcante (bateria) e Robenare Marques (piano). E ainda chamou para participações Maurício Maestro, que estava ali pela plateia e cuja amizade entre os dois remonta aos anos 1970, e também Delcley Machado, com quem Toninho vem firmando parcerias.

Serviço
Mostra Belém Tapajazz. Workshop com Maurício Maestro – Nesta terça-feira, 29, das 15h às 18h, no Núcleo de Conexões Na Figueredo – Gentil, próximo a Benjamin. Realização da Fábrica de Produções, patrocínio da Equatorial Energia, por meio da Lei Semear do Governo do Estado, e patrocínio da Alcoa. Apoio cultural da Casa do Saulo – Onze Janelas e deputado Igor Normando.

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