“Todos somos cabanos!” foi o grito que uniu centenas de vozes, no bairro da Cidade Velha, em Belém, para celebrar os 185 anos da Revolta da Cabanagem, na noite desta terça-feira (7). Crianças, adultos e idosos participaram do Preamar Cabano, programação da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), com a parceria de coletivos e fazedores de cultura. A agenda prossegue até o dia 12 (domingo), culminando com o aniversário de fundação da capital paraense.

Antônio Juraci Siqueira, escritor paraense (Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará)
Antônio Juraci Siqueira, escritor paraense (Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará)
A importância da data “7 de Janeiro” foi ressaltada em dois poemas do escritor paraense Antônio Juraci Siqueira, em frente ao Museu do Estado do Pará (MEP). O primeiro rememora a tentativa de tomada de Belém pelo cacique tupinambá Guaymiaba, morto com mais de 2 mil guerreiros, em 1619, cerca de três anos após a fundação da cidade, em 1616. Na mesma data, no ano de 1835, a revolta popular que ganhou o nome de Cabanagem derrubou o então presidente da Província do Grão-Pará, Bernardo Lobo de Sousa, e ficou no poder por cinco anos. É única insurreição em que o povo tomou o poder na história do país. “São dois momentos da história de Belém e do Pará, quando avulta o sentimento nativista do povo, na mesma data, na mesma cidade, em períodos diferentes”, explicou o poeta.

Maria Eduarda Bandeira, 11 anos, assistiu ao evento ao lado do pai, o professor Paulo Bandeira. “Meu pai estava me explicando. As pessoas moravam em cabanas e, por isso, ficou conhecido assim”, contou a menina. “É importante para conhecer um pouco a história da nossa cidade, para dar mais valor, apesar das adversidades que ela passa. E orientarmos as crianças para saber as origens, como tudo começou. As lutas, a arquitetura, a cultura. É importante que ela saiba diretamente com eventos como este”, complementou o professor.

Valorização – “Nosso Preamar Cabano deságua em valorização da nossa história e da nossa memória, no nosso centro histórico. Iniciamos a nossa programação com essa cantata poética, com música, poesia, cortejo cultural e com a projeção de um vídeo em animação que conta a história da Cabanagem nesse espaço que foi o mais importante, no momento mais marcante, quando as lideranças tomam o poder”, afirmou a titular da Secult, Ursula Vidal.

“Quando a gente conhece a história da cidade, de luta de cabanos, ribeirinhos, indígenas, negros escravizados e libertos, mulheres, nós valorizamos cada vez mais a nossa identidade”, reiterou a secretária.

Reunir grupos de cultura popular e formatos diversos de arte foi a escolha da Secult para enaltecer a força do povo representada na Cabanagem. “O videomapping, por exemplo, é um tipo de linguagem que trabalha com a intervenção urbana. Foi muito propício utilizá-lo na fachada do prédio histórico representativo, o palco do grande momento da Cabanagem”, explicou Cássio Tavernard, diretor do Departamento de Editoração e Memória da Secult. A técnica, baseada no mapeamento de vídeos em superfícies irregulares, surpreendeu o público. A peça foi criada coletivamente, sob a orientação de VJ Lobo. “O Museu é o guardião da nossa identidade cultural. O videomapping foi uma maneira de trazer isso para fora. Todo mundo se juntou para contar a história da Cabanagem para além dos livros didáticos”, contou o VJ Lobo.

Aniversário da Cabanagem
Reunir grupos de cultura popular e formatos diversos de arte foi a escolha da Secult para enaltecer a força do povo representada na Cabanagem (Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará)

Magda Nascimento assistiu ao evento artístico com o companheiro, Rafael Bastos, e a filha do casal, Helena Ferreira, 4 anos. “Além de saber que hoje é o Dia da Cabanagem, viemos trazer nossa filha para esse movimento cultural. Esse evento é uma valorização histórica de luta e resistência da Amazônia. Para além do que se fala sobre a região, ela precisa conhecer o que é a Amazônia a partir da nossa realidade. A gente tem que se fazer presente nesses locais, apoiar e valorizar a nossa história”, ressaltou Magda.

Poemas e videomapping mostraram às novas gerações a importância da revolta popular (Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará)
Poemas e videomapping mostraram às novas gerações a importância da revolta popular (Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará)
Cultura e turismo – A programação contou com um cortejo que partiu do MEP para o Espaço Cultural Casa das 11 Janelas, onde ocorreu uma apresentação da DJ Ananindeusa e da Orquestra Aerofônica. Durante toda a semana o Preamar Cabano terá exposições, ações educativas e musicais.

No próximo domingo, aniversário da fundação de Belém, a programação ocorrerá desde cedo, e contará com o espetáculo musical “Árvores que tocam”, no Theatro da Paz, às 11 h, com entrada franca.

Também em comemoração aos 404 anos da capital paraense, o governador Helder Barbalho entregará o complexo turístico e de convivência Belém Porto Futuro, localizado próximo à Baía do Guajará, que visa fortalecer o contato do povo paraense com o rio, dentro do projeto de revitalização da área portuária. O evento terá apresentações musicais e espetáculo pirotécnico.

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