Canção, bits eletrônicos e parcerias “sem chumbo nos pés”

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Naldinho Freire (Foto: Camila Figueredo/Divulgação)

Marcado pela canção, utilizando violão de madeira, corda de aço e nylon, em diálogo com a música eletrônica, “sem chumbo nos pés” será lançado na sexta-feira, 10 de maio, às 20h, com um show no Teatro Margarida Schivasappa, trazendo participação dos cabo-verdianos Manuel di Candinho, guitarrista, e Mário Lúcio, poeta, e dos paraenses Ramón Rivera, Lucas Torres, Natália Matos, Juliana Salgado, Gláfira, Pedro Vianna e Andrea Silveira. Ingresso a R$ 2,00 na bilheteria e R$ 2,50, pelo Sympla.

Paraibano radicado em Belém/PA, em 1995, o músico compositor lançou o seu primeiro disco, o LP LAPIDAR, com show homônimo, viajou por várias capitais do Brasil e países da Europa. O CD “sem chumbo nos pés”, o quarto álbum do músico, que também acumula várias participações em coletâneas musicais, consolida o flerte do artista com os elementos dos sintetizadores e os bits eletrônicos.

Trazendo 12 faixas construídas com muitas parcerias e conexões musicais, foi gravado em mais de uma cidade, passando por mais de um estúdio e até saindo do país. “Quando eu estava na cidade que eu queria e pretendia uma participação de um ou mais artistas, conseguíamos um estúdio e eu já gravava ali mesmo. Em João Pessoa, gravei com Pedro Osmar, e Adeildo Vieira, pessoal do Musiclube da Paraíba, as meninas Déa Limeira, Glaucia Lima, que são da minha época, anos 1990. Esse momento foi quando estava na circulação do show com Beá Santos, que inclusive fez a direção no estúdio dessas gravações, na Paraíba”, conta Naldinho Freire.

Em Cabo Verde, gravou a guitarra de Manuel di Candinho, a voz guia de Mario Lucio, e todo o seu violão guia. “A guitarra ficou tão legal que a gente está utilizando essa guitarra mesmo no disco. Candinho toca muito é um virtuose da guitarra, mas também toca piano, é um grande músico. O Mario Lucio, depois esteve em Fortaleza para um concerto dele, e lá ele colocou a voz definitiva. O Ivan Ferrarro, criador da Feira da Música de Fortaleza, nos ajudou a arrumar um estúdio. Esse trabalho traz muitas energias”, diz o músico.

O disco sai pelo selo Na Music, com direção musical de Marcel Barretto, produção de Inês Silveira e produção executiva MM Produções, com financiamento através de emenda parlamentar do Deputado Federal Edmilson Rodrigues, em convênio com a UFPA. O show conta com projeções de Nando Lima, direção artística de Camila Honda e iluminação de Patrícia Gondim.

O ÁLBUM FAIXA A FAIXA

PARCERIAS “sem chumbo nos pés”

01 – Eu canto música de amor – Naldinho Freire/ Pedro Osmar
Pedro Osmar artista multimídia da cidade de J. Pessoa/PB. tocou com Vital Farias, Cátia de França e Zé Ramalho. Em 1974, fundou o grupo Jaguaribe Carne, e em 1981, o Musiclube da Paraíba, entidade que entre seus integrantes esteve Chico César, Totonho, Milton Dornellas, Adeildo Vieira e Naldinho Freire. Em 2016 foi lançado o filme Pedro Osmar: Pra Liberdade Que Se Conquista, de direção de Eduardo Consonni e Rodrigo Marques. O músico paraense Dan Bordallo trouxe a sua experiência com os sintetizadores para essa canção.

02 – Trova de madeira e cordas – Naldinho Freire/ Ubirajara Almeida
Ubirajara Almeida poeta nascido no Rio de Janeiro, estudou Letras na Universidade Federal de Pernambuco, radicou-se em Maceió/AL e dedicou-se ao ensino da língua portuguesa. Publicou os livros Inventário do Silêncio – Editora Graciliano Ramos e Dez Lírios & Tremifusas (edição do autor). Naldinho Freire – Voz e Violão.

Essa canção tem a participação de Chico César, cantautor paraibano que integrou o Grupo Jaguaribe Carne. Aos 21 anos, mudou-se para São Paulo, onde dedicou-se ao seu trabalho musical. Atualmente é um dos principais artistas brasileiros com repercussão internacional. Nesta canção há programações eletrônicas de Marcel Barretto – Músico Nascido em Toulose/ França e radicado em Belém/PA.

03 – Pretty Down – Mario Lucio
Nascido no Tarrafal – Cabo Verde, Mario Lucio é uma das figuras mais reconhecidas da cena cultural e musical caboverdiana, tanto local como internacionalmente. É o escritor mais premiado do país internacionalmente, o poeta que marca a viragem na nova poesia caboverdiana com o livro “Nascimento de Um Mundo”. Um dos mais conceituados pensadores da sua geração é também autor do “Manifesto a Crioulização”, a obra mais atual sobre o fenómeno da Crioulização no mundo, de que é um pensador expoente. Foi Ministro da Cultura de Cabo Verde, e lançou a nova epistemologia sobre a Cultura, com a obra “Meu Verbo Cultura”.

Esta canção tem a participação do guitarrista Manuel di Candinho, músico cabo-verdiano que desde 2008 desenvolve projetos em parceria com Naldinho Freire, em Países da Europa e em Cabo Verde. A captação da guitarra ocorreu em 2017 no XL estúdio – Cabo Verde/ África.

Com programações eletrônicas da instrumentista e produtora musical paraense, Beá Santos, e do músico e produtor musical, Marcel Barretto, além da participação do músico paraense Leo Chermont.

04 – Surreal – Naldinho Freire/Kelcy Ferreira
A Maranhense de São Luís, Kelcy Ferreira é comunicóloga, psicóloga e especialista em artes visuais. Foi coordenadora de ação cultural do SESC Alagoas. Para essa canção Naldinho Freire convidou para interpretá-la, a cantautora Natália Mattos, que integra a safra de artistas paraenses com trabalhos cosmopolitas. Freire mantém responsabilidade pelas bases eletrônicas, as assinaturas de Beá Santos e Marcel Barreto, que também deixou registrado na obra o som de sua guitarra.

05 – A Cidade – Naldinho Freire/ Fernando Mendonça
Parceiro de longas datas, Fernando Mendonça é maranhense, radicado no Rio de Janeiro/RJ. A canção “A cidade” é uma revisita realizada por Naldinho Freire, a partir da leitura do livro Dinâmica Urbana – Crise Utopia, de Edmilson Rodrigues. Participa da canção, a cantautora Ana de Hollanda, os guitarristas Marcel Barreto, Lucas Torres e Rubens Guilhon que assina a produção musical.

06 – Hoje não, nada de Tv – Naldinho Freire/ Álvaro Maciel
Ativista ligado à política cultural, o carioca Álvaro Maciel foi contemporâneo de Naldinho Freire na Fundação Nacional de Artes, no período de 2011 a 2016. A canção estimula a reflexão sobre um dos principais veículos de comunicação do nosso planeta, sugerindo um distanciamento da cidade, um mergulho na solidão, regressões e deslocamentos que proporcionem amplitudes além da tela.

Naldinho Freire, além de cantar e tocar violão, traz para essa canção o rapper cabo-verdiano James Tha Costa, que segue o mesmo caminho, transportando pensamento dos compositores para internet e outros veículos de comunicação propondo o potencializar dos afetos, uma mudança de comportamento e de pensamento.

A produção musical e as guitarras são de Marcel Barreto, com a participação da baterista paraense Juliana Salgado, graduada em música pela UFPA. A cantautora paraense Gláfira, que é com Freire uma das fundadoras do Fórum Nacional de Música, tem participação especial nessa canção, a gerar um momento de intercâmbio vocal entre o Brasil e a África: Nordeste e Norte do Brasil, e Tarrafal – Cabo Verde.

07 – O Não Lugar – Naldinho Freire/Pedro Vianna
Primeira parceria de Naldinho Freire com um paraense, o cantautor Pedro Vianna, que também é escritor, com quase 20 anos de carreira artística, sendo um dos principais compositores de Belém do Pará. O encontro entre Naldinho e Pedro aconteceu em uma das visitas de Freire a Belém, ainda enquanto representante da Funarte para as Regiões Norte e Nordeste.

Radicado em Belém/PA, Naldinho Freire retoma o contato com Pedro Vianna e a canção O não lugar é o veículo para aproximar os compositores, que dividem vozes nesta 7ª faixa do CD sem chumbo nos pés.

08 – Oásis – Naldinho Freire/Pedro Cabral
Canção composta na cidade da Praia em Cabo Verde, por ocasião de uma digressão do compositor Freire. Parceria com o alagoano Pedro Cabral, poeta, artista visual e arquiteto, um dos autores de Maceió que têm canções em parceria com vários compositores de Alagoas. Oásis remonta o período em que Naldinho Freire viveu nas terras de Graciliano Ramos, 1997 a 2010.

09 – Biruta – Naldinho Freire/Lau Siqueira
Canção composta a partir do Poema Biruta que está no livro “Livro Arbítrio”, de Lau Siqueira, poeta Gaúcho radicado em J. Pessoa/ PB. Biruta proporciona o encontro de Pinduca e Naldinho Freire. Sob a regência e programação eletrônica de Marcel Barreto, Pinduca transporta para a canção de Freire, os signos paraenses, junto com as guitarras de Lucas Torres. Um dos trabalhos fruto dos dois anos em que Naldinho está radicado em Belém do Pará.

10 – Genuflexão – Naldinho Freire/Ricardo Cabús
Ricardo Cabús é um dos principais poetas de Alagoas na atualidade, Professor da UFAL, mentor do projeto papel no Varal. A canção Genuflexão é fruto do período em que Naldinho Freire viveu no Recife (Pe), composta a partir da Leitura do Livro Cacos Iconexos de Ricardo Cabús.

Participam da canção, o guitarrista Alex Mono e cantora paraense Camila Honda, que também assina a direção artística do concerto de lançamento do CD sem chumbo nos pés.

11 – Data Venia – Naldinho Freire/Antonio Ronaldo
Antonio Ronaldo é cantor, compositor, poeta e escritor Potiguar e também empresta sua voz à canção Data Venia, que tem ainda a participação da flautista Andrea Silveira, radicada em Natal/RN. A produção musical é de Marcel Barreto e Naldinho Freire faz violão e voz.

12 – Pássaros – Naldinho Freire/Pedro Osmar
Canção que em sua letra está a frase que intitula o CD, é mais um trabalho fruto da relação musiclubeana de Naldinho Freire e Pedro Osmar. Tem a participação do Paraibanos e musiclubeanos Adeildo Vieira, Glaucia Lima e Déa Limeira.

A violoncelista, também paraibana, Mayra Ferreira passeia pela canção com o seu instrumento em diálogo com o violão de Naldinho Freire, os sintetizadores de Beá Santos, as vozes percussivas, e o aboio de Pedro Osmar. Pássaros propõe voos além horizonte e nos deixa sem chumbos nos pés.

FICHA TÉCNICA DO SHOW
Produção Executiva: MM Produções
Produção: Inês Silveira
Direção de arte/Direção de cena: Camila Honda
Iluminação: Patrícia Gondim
Projeções: Nando Lima
Apresentação: Marcelo Pinheiro
Produção Musical: Marcel Barreto
Voz, Violão: Naldinho Freire
Guitarra, Programações: Lucas Torres
Assessoria de Imprensa: Luciana Medeiros
Marketing: Projeto Caos

Serviço
Lançamento de “sem chumbo nos pés”
Dia 10 de maio, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur.
Ingressos à venda pelo sympla a R$ 2.50 (http://bit.ly/sympla_semchumbonospes) ou no dia do show, na bilheteria do teatro – R$ 2,00.
Mais informações: http://bit.ly/show_lançamento.

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