Instrumentistas de cordas do Programa Vale Música vão apresentar, junto com o pianista português Bernardo Santos, um recital com obras do compositor tcheco Antonín Dvorak. Fábio Santos, Renan Cardoso, Haroldo Correa, Bruno Valente e Bernardo Santos interpretarão uma das obras mais célebres do compositor. O recital tem o patrocínio da Fundação de Gestão dos Direitos dos Artistas – GDA, uma cooperativa sem fins lucrativos, criada para artistas, atores, bailarinos e músicos, bailarinos e músicos e realização da Fundação Amazônica de Música – FAM.

Programa
Na noite, os músicos apresentarão o 2° Quinteto em Lá Maior, Op. 81, de Antonín Dvorak. Na opinião dos jovens musicistas, a obra consegue integrar o piano junto ao violino, violoncelo e viola perfeitamente. “Há uma harmonia no que se refere à interação entre os instrumentos. Cada um tem suas intervenções, mas nunca de forma exagerada”, afirma o pianista português Bernardo Santos. ‘Costuma-se dizer que a música de Dvorak não precisa de grandes apresentações, pois é uma música que fala por si mesma, sendo extremamente bela e muito direta”, completa Bernardo.

Instrumentistas de cordas do Programa Vale Música se apresentarão junto com o pianista português Bernardo Santos (Foto: Divulgação)

Para o violinista Renan Cardoso, “uma das grandes realizações de Dvorak foi suas criações para grupos de câmara”. Ele escreveu duas obras para a formação do piano em um quinteto e a música que tocaremos é de um período em que ele já apresentava elevada maturidade como compositor. É uma das obras mais emblemáticas do gênero”, enfatiza o violinista. Haroldo Correa, tocará a viola, ele explica que “nesse quinteto, Dvorak mostra cada um dos instrumentos com pequenos solos”. “Primeiro o público vai apreciar o violoncelo, depois vem os solos dos violinos, em seguida percebe-se o som do piano e depois a viola entra na sinfonia. Essa mistura de timbres de cordas com o piano é algo que casa muito bem”, indica Haroldo.

Bruno Valente, o cellista do quinteto, conta como será o momento principal da apresentação. “Para mim, o ápice são o terceiro e quarto movimentos, onde o compositor usa formas e estilos de canções e danças tchecas. No terceiro movimento percebemos que se trata de uma dança folclórica boêmia e o último, será um movimento rápido e espirituoso”, analisa.

Bernardo Santos completa explicando que, “o primeiro movimento será apaixonado e extrovertido; o segundo movimento trará o mistério e a introversão, tendo Dvorak referenciado, neste, o nacionalismo”. Sobre as seguintes partes da apresentação, o pianista revela que: “o terceiro movimento é bastante alegre e expansivo, onde percorreremos os acordes rapidamente, como um furacão”, descreve. “Na minha opinião, a parte mais mágica é o quarto e último movimento, tocado como se fosse quase uma última palavra da parte dos músicos antes de uma despedida final muito enérgica”, conclui o pianista.

As expectativas para a noite são as melhores. De acordo com Bruno, “a experiência de tocar com alguém de fora é sempre muito boa e enriquecedora”. Bernardo, que já se apresentou com a Orquestra Jovem Vale Música ano passado, fala sobre o próximo encontro. “A obra que vamos tocar é, sem dúvida, uma das pérolas para piano e quarteto de cordas, sendo imensamente bela e fácil de acompanhar. Creio que todos vão apreciar bastante”, diz.

O jovem pianista conta que a iniciativa de se apresentar com os músicos do Vale Música surgiu da vontade de estar novamente com os seus integrantes. “Visto que fiz tantos amigos em Belém, pensei logo na oportunidade de voltar e estar novamente com todos que conheci. Como não há muitos eventos de música de câmara com frequência em Belém, propus junto à direção da FAM para que pudéssemos realizar uma apresentação deste tipo”, recorda. Ele diz ainda que, “conhecer o projeto foi mesmo uma experiência de vida e virei fã de todo o trabalho feito com as crianças e jovens”. Para ele, “voltar à Belém é poder estar com bons amigos, fazer música ao mais alto nível e realmente perceber que a música pode fazer a diferença na vida de todo nós”, resume Bernardo, que após passar por Belém, segue para se apresentar com orquestras de Manaus e Minas Gerais.

Bernardo fala que o Brasil tem muitos talentos, e enfatiza que o incentivo é essencial. “Acredito que, tal como em todo o lugar, o apoio a iniciativas artísticas devesse ser maior, é algo que deve e está evoluindo em muitos países, inclusive no meu. Sinto também que há interesse do público em ouvir e conhecer cada vez mais sobre o gênero erudito, o que me deixa muito feliz”, reflete.

Serviço
Quinteto de Piano e Cordas
19 de março (terça-feira), às 20h
Sala Augusto Meira Filho
Arte Doce Hall (Av. Magalhães Barata, 1022 – entre 14 de abril e Castelo)
Entrada franca
Como chegar

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