O Amazônia Tan Tan pesquisou, revalorizou e interagiu por mais de um ano com os saberes e conhecimentos populares musicais do interior do Pará. “O Salgado paraense é riquíssimo, tem grandes compositores, mas muitos ainda são desconhecidos. É o verdadeiro berço musical de sucessos paraenses”, diz Almirzinho Gabriel, que idealizou, coordenou e dirigiu o projeto.

Também músico e compositor, ele possui discos gravados como “Tribos Submarinas” (1983), “Na Boca do Peixe” (1992) e “Tzandai Vida Boa” (2008), além de trabalhos instrumentais inéditos, o “Tintió”, com repertório autoral de chorinhos; e “Num Guita”, disco de guitarradas gravado com o Trio Manari.

“Interagimos musicalmente com os mestres locais com a ideia de tocarmos juntos, construindo novos arranjos e texturas. O produto cultural que lançamos agora disponibiliza ao público todo o material captado no interior com músicas tradicionais e saberes da região em mini documentários e clipes. A música é o fio condutor do trabalho, mas junto a ela aparecem a dança, a poesia e os costumes locais”, explica Almirzinho.

O projeto foi selecionado pelo edital Natura Musical 2016 com apoio da Lei Semear. “Acreditamos na força do Natura Musical para conectar pessoas, valorizar a criatividade brasileira e revelar a diversidade de cada região do país”, diz Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura. “O programa já circulou por 22 estados, apostando em talentos locais. No Pará, por exemplo, o edital já ofereceu recursos para 48 projetos da música, como Aíla, Felipe Cordeiro, Luê, Arthur Nogueira, Strobo Sammliz e Lia Sophia”, complementa.

Mestres e compositores participam do bate papo

A programação de lançamento conta com a participação do idealizador do projeto, o músico e compositor Almirzinho Gabriel, além dos mestres, músicos e compositores que participaram das gravações. O público terá chance de conversar diretamente com eles para entender como foi o processo o resultado dessa experiência, além de conferir os vídeos, que também estão disponíveis no site oficial.

À procura de mestres da cultura popular, Almirzinho encontrou com Lázaro, carpinteiro e compositor, na Vila dos Pescadores em Ajuruteua, um grande contador de histórias e improvisador. Começou a compor aos 14 anos, mas não toca nenhum instrumento, faz a música da cabeça.

Também conversou e gravou com o Antônio Rabequeiro, músico autodidata, que aprendeu a tocar rabeca ainda criança, sob luz de lamparina. Atualmente ele é um dos mais requisitados rabequeiros da região, particpando de várias Marujadas, como Vila Fátima, Primavera, São Joao de Pirabas, Quatipuru, Boa Vista, e ajuda na de Bragança.

Alex Ribeiro, de Capanema, é o mais novo da turma. Jornalista e historiador, vive em Bragança. Traz como principais influências Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Elvis Presley, Jackson do Pandeiro e Roberto Carlos. O artista também se inspira no realismo fantástico de Gabriel Garcia Marques, na poesia de Fernando Pessoa e Leminski, entre outros.

E também gravou com Tatu, nascido no Amapá, mas veio estudar em Belém e acabou indo parar em Bragança, onde mora até hoje e é reconhecido como um exímio tocador de cavaco. Outro compositor encontrado pelo estúdio, foi Veloz, comandante de barco de pesca, nascido na Vila do Araí, a 50 km de Augusto Correia, ou Urumajó, e que recebeu este apelido pela agilidade com que navega e pesca.

O projeto apresenta ainda Ticó, um dos mestres do grupo “Quentes da Madrugada”, o principal grupo de Santarém Novo, município que mantém uma tradição secular de carimbó na região. Também do carimbó, o projeto traz Ladainha, pescador de Cafezal, que além de um excelente tocador de maracas, também é artesão e confecciona o próprio instrumento.

As últimas gravações foram realizadas com Kzam, responsável por manter na ativa uma das manifestações mais antigas e populares da comunidade de Santarém Novo, a brincadeira dos “Pretinhos”. Organizada desde o início do século passado, tem como característica particular a relação com a cultura dos negros que foram trazidos para a região como escravos.

O projeto teve direção de fotografia de Renato Chalu da Jambu Filmes, coordenação de produção de Fagner Yanomani, criação gráfica de Bina Jares e Filipe Almeida, edições de video de San Marcelo e Eduardo Costa, edições de audio de Thiago Albuquerque, textos de Luciana Medeiros e participação dos músicos convidados.

Serviço
Lançamento “Amazônia Tan Tan” no Centro Cultural Sesc Boulevard
Local: Centro Cultural Sesc Boulevard
Boulevard Castilhos França, 522/523, Campina, Belém – PA
Data: 24 de janeiro, quinta-feira
Horário do show: 19h
Ingressos: Entrada franca
Capacidade: 80 lugares
Classificação Indicativa: Livre

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