Mais do que símbolos do catolicismo, as igrejas mais antigas do Pará são atrativos turísticos que contam a história da colonização européia e da cultura paraense. Quando as expedições portuguesas por aqui chegaram, no século XVII, trouxeram consigo as missões jesuítas incumbidas de catequizar os índios que habitavam a região. As forças expedicionárias desbravaram o rio Amazonas, fundando municípios e deixando fortes traços da cultura européia e da religião católica por onde passaram. Até os dias de hoje as igrejas são guardiãs desta herança, presente na arquitetura de estilo neoclássico e barroco comum a muitas dessas construções, assinadas por expoentes da época, como o italiano Antônio José Landi.

Nas regiões do Marajó e do Tapajós, por exemplo, os Jesuítas marcaram presença na fundação da maioria dos municípios e foram fundamentais para a consolidação do domínio português na Amazônia. Mas é na capital do Estado, Belém, que estão reunidos os maiores ícones da arquitetura e também o maior acervo histórico desse período.

BELÉM

Igreja da Sé

Catedral Metropolitana (Foto: Cláudio Santos/Agência Pará)

A Catedral Metropolitana ou simplesmente “Igreja da Sé” é a mais antiga de Belém. Os registros de sua construção datam de 1749. Originou-se de uma humilde capela coberta de palha, fundada inicialmente no interior do Forte do Castelo, durante os primeiros anos de colonização da cidade. Guarda uma arquitetura neoclássica e barroco-colonial impressa após uma intervenção feita pelo arquiteto europeu Antonio Landi, em 1755, e ponto de partida da maior procissão católica do Norte do País, do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que acontece há mais de dois séculos, sempre no segundo domingo de outubro.

Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré

Basílica de Nossa Sra. de Nazaré (Foto: Cláudio Santos/Agência Pará)

A história de fundação da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré tem um significado especial para o povo paraense. Para os católicos mais fervorosos, o local foi escolhido por intervenção divina para sediar uma igreja. Reza a lenda do “milagre do retorno” que por volta de 1700 o caboclo Plácido encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré no igarapé Murucutu e toda vez que a levava para casa, misteriosamente, a imagem da Virgem de Nazaré retornava ao local onde havia sido achada, o que levou os nativos da época a acreditarem que esse era um sinal de que a vontade da própria santa era ter seu nicho e igreja construídos ali. E assim, a partir da construção de uma igreja que servira de templo para a pequena imagem, Nossa Senhora de Nazaré se tornou a padroeira dos paraenses.

De estilo neoclássico e eclético, a Basílica foi projetada pelos arquitetos italianos Gino Coppedé e Giuseppe Predasso. Antes de receber o título basilical pelo papa Pio XI, em 1923, já havia passado por diversas reformas e ampliações desde sua primeira inauguração, em 1881. Atualmente, a Basílica de Nazaré e a praça contígua a igreja são o ponto de chegada da maior procissão do Estado: o Círio de Nazaré.

Igreja de Santo Alexandre

A igreja de Santo Alexandre, que integra do Complexo Feliz Lusitânia, foi a sede da Companhia de Jesus em Belém do Pará durante o período colonial. A igreja atual foi concluída em 1719, como uma sucessão de outras anteriores, que passaram por modificações e reestruturações. Desde seus primórdios, divide espaço com um colégio jesuíta, que além de já ter armazenado em sua biblioteca mais de dois mil livros e escritos antigos, funcionou também como uma oficina de esculturas para indígenas catequizados.

Hoje, o conjunto arquitetônico do colégio e da igreja foram transformados no Museu de Arte Sacra do Pará. O espaço conta com centenas de peças sacras em pintura, talha, gesso, prataria e outros objetos litúrgicos deixados pelos jesuítas. A igreja ainda funciona, sendo inclusive palco de concertos musicais, apresentações de teatro e outros eventos além de programações católicas. Em 1980, a igreja inclusive hospedou o papa João Paulo II quando visitou a cidade de Belém.

MARAJÓ

Ruínas de Joanes – Salvaterra

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário (Foto: Thiago Gomes/Agência Pará)

A construção de igrejas para a catequização dos índios era uma das primeiras medidas tomadas pelas expedições religiosas ao chegarem a uma nova região. A missão religiosa mais famosa do Marajó foi organizada pelos padres Franciscanos na Vila de Joanes, por volta de 1693. As ruínas de pedra da igreja construída pelos padres Franciscanos em Joanes ainda estão de pé e são parada obrigatória para turistas que visitam o município de Salvaterra.

Igreja de Santa Luzia – Soure 

Localizada na comunidade do Pesqueiro, em Soure, ela recebe a procissão do Círio do Pesqueiro, que anualmente sai da Granja Mironga e percorre a PA-154, até a comunidade. A devoção à Santa Luzia no Brasil é muito grande e no Marajó não é diferente. A Santa nasceu no ano 280, em Siracusa, na Itália. Filha de nobres cristãos, Lúcia tinha muita fé e buscou sozinha os conhecimentos da fé católica, da vida de Jesus Cristo, cultivando e promovendo o amor ao próximo e à Deus, mesmas fontes da devoção dos marajoaras à Santa.

Igreja Matriz de N. Sª da Consolação – Soure

Igreja Matriz de N. Sª da Consolação (Foto: Eunice Pinto/Agência Pará)

A igreja Matriz de Soure ou Igreja Matriz de Nossa Senhora da Consolação foi construída por volta de 1936, a partir das ruínas da Capela Menino Deus, de onde saía o Círio de Soure até então. O terreno da capela, onde foi construída a Igreja Matriz, havia sido doado por um casal de devotos que realizavam todo mês de novembro um novenário à Virgem de Nazaré.

Matriz de N. Sª da Conceição – Ponta de Pedras

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Foto: Joabher Bentes)

Os marajoaras têm uma grande devoção à Nossa Senhora da Conceição também graças aos Jesuítas, que trouxeram a imagem da santa em suas expedições. No que hoje é o município de Ponta de Pedras, os missionários religiosos construíram uma capela para abrigar a imagem da santa. No início era uma construção simples, feita de madeira e coberta de palha, até que em 1898 foi doado um lote de terra para a construção da atual igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Apesar de atualmente a imagem da santa viver guardada na catedral, construída na década de 60, a devoção à padroeira fez com que em 1983 a Universidade Federal do Pará (UFPA) tomasse a frente de um projeto de restauração que entregou à população a igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição totalmente revitalizada.

TAPAJÓS

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição – Santarém

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará)

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ou Igreja Matriz de Santarém, foi inaugurada em 1819, mais de cem anos após a construção da primeira capela de devoção à Santa no município. A igreja foi projetada pelo arquiteto Antônio Landi, responsável pela construção dos maiores prédios históricos em Belém. Dentro da igreja existe um pequeno museu de arte sacra que conta com imagens e pinturas barrocas dos séculos XVIII e XIX, objetos de culto e diversos documentos e registros históricos. Algumas imagens foram trazidas da Espanha ou entalhadas em madeira por indígenas da região.

Outras atrações da Igreja de Nossa Senhora da Conceição são as lápides de três antigos bispos de Santarém. A primeira é de Dom Amando Bahlman, que morreu na Itália, em 1939, e teve seus restos mortais trazidos para igreja em 1952; a segunda é do bispo Dom Tiago Ryan, que faleceu no Estados Unidos em 2002, e teve seu corpo trazido para Santarém para ser sepultado na igreja; a terceira é do bispo Dom Lino Vombommel, natural de Teresópolis (SC) e falecido em Santarém no ano de 2007.

Igreja de Nossa Senhora da Saúde – Alter-do-Chão – Santarém

Igreja de Nossa Senhora da Saúde (Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará)

Localizada na Vila de Alter do Chão, em Santarém, a Igreja de Nossa Senhora da Saúde foi construída no século XIX em estilo barroco português. É reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio histórico de Santarém. Seu prédio inclui a capela central e duas naves laterais. No mês de junho recebe os devotos da procissão fluvial do Círio de São Pedro, marcado por arraial, comidas típicas, quadrilhas juninas e outras atividades, um ritual que encanta turistas e nativos no Tapajós. Durante a procissão fluvial dezenas de embarcações enfeitadas acompanham a imagem de São Pedro, levando centenas de ribeirinhos que vivem em comunidades no entorno da vila, como Aritapera, Pindobal, Aramanaí, Ponta de Pedras e também da própria cidade de Santarém. Turistas de todo o Brasil e também do exterior costumam visitar a vila nesse período.

Por Benigna Soares/Agência Pará

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here